Capítulo 2
Um teto de palha trançada, janelas castigadas pela chuva e cheiro de comida receberam de volta o estranho trazido da praia. Com a voz ainda fraca, ele pediu, -Água, por favor. Com o canto dos olhos viu levantar de seu assento e tomar forma um vulto corpulento, com a face severa tomada por rugas e arada pelo vento marinho. - Aqui garoto, beba devagar. Disse com voz profunda e fitando-o intensamente com olhos da cor do mel. A comparação com algo doce desapareceu instantaneamente no primeiro gole. A água lavara todo o sal em sua boca fazendo o engasgar. -Perdão senhor, desculpou-se, voltando a repousar a cabeça. - Dizem que morrer afogado é horrível, mas eu imagino que se afogar sem poder morrer seja ainda pior, disse o homem oferecendo calmamente um novo gole. - Afinal, não é como se você precisasse dessa água, mas velhos hábitos são difíceis de perder, você vai perceber, afirmou concordando com a cabeça de curtos cabelos brancos.